Legislação

Desde meu primeiro carro sempre andei com a suspensão rebaixada. Comecei com o tradicional corte nas molas originais no meu original Palio ’94, e por mais que a paixão falasse mais alto, sempre que eu entrava no carro, esperava a injeção fazer o seu trabalho, e dava a partida, era um ritual celebrado com aquele frio na barriga, que mesmo durando segundos, fazia com que eu me sentisse fazendo algo ilegal. Ilegal? Mas como? Comprei meu carro de forma honesta, pagava as parcelas antes do vencimento, tinha os impostos sempre em dia, cuidava da mecânica mais do que de mim próprio, e tudo sustentado por um trabalho justo e com carteira assinada. Essa sensação de ser um fora da lei me incomodou durante alguns anos, até que em 2008 começaram os boatos de uma suposta legalização que poderia acontecer, fazendo com que esse sentimento criminoso deixasse de habitar minha mente. E não é que os boatos eram reais? Tive o 2º carro legalizado em Maringá-PR (o primeiro foi um Astra de um amigo), e durante mais alguns anos fui feliz, causei dúvida e admiração em algumas blitz no início, mas tirei um fardo das minhas costas, já que com essa resolução em vigor, tudo na minha vida estava sendo feito corretamente. Fui trocando de carros, e as legalizações eram obrigatórias, até que neste ano, em 2013, me deparo com o fim da resolução, proibindo a emissão da guia que nos permitia sermos pessoas dentro da legislação.

Várias desculpas e tentativas de se justificarem, culpando caminhoneiros no final, só demonstram o quanto o Brasil regride nas suas atitudes. Somos um país rico, que economicamente deixa dezenas de países europeus ‘no chinelo’, que irá sediar a próxima Copa do Mundo e as próximas Olimpíadas, mas que tem à sua frente dirigentes despreparados, que só pensam no que está à sua volta, sem ver que essa situação é um diamante que começou a ser lapidado, e que poderá render bilhões de reais aos cofres públicos, deixando a população com sua mente limpa, e os dois lados ficam felizes, ponto final!

Se um dia chegaremos ao nível de um país de primeiro mundo? Acredito que sim, mas não será na nossa geração.  Amo o Brasil, e embora pareça uma tempestade em um copo d’água generalizar tudo por causa de uma simples resolução, não é, porque o mesmo sentimento que eu sentia há 10 anos voltará a me atormentar todas as vezes que tirar o carro da garagem...

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